Criando uma criação

Olá, seres!

Como estamos?

Muita coisa planejada pra esse final de ano?

Hoje eu gostaria de trazer uma tentativa de mostrar-lhes como meu processo criativo funciona. Se é que eu mesmo o entendo, rs.

E sem mais delongas, vamos direto ao ponto.

SONHOS. Não tenho como fugir deles. Eles governam meu processo de criação. Eles dão o pontapé inicial, quando não ditam toda a ideia.

Fase 1. recolhendo sonhos e inspirações.

Sendo bem aleatório, digamos que eu tenha um sonho num dia qualquer, say, 13/07, onde me vejo flutuando juntamente com amigos durante uma festa. Ninguém toca o chão. Ninguém toca o teto. Não caminhamos jamais.

Eu acordo e anoto isso em meu diário com a etiqueta “ideia crua” ou “ideia não trabalhada” e “sonho”. Sim, eu mantenho um diário de sonhos.

Digamos que após um tempo eu tenho outro sonho. Não estou cogitando aqui os sonhos entre o primeiro citado e este próximo, estou apenas querendo mostrar que meu processo pode se valer de sonhos bem espaçados entre si.

Então, no dia 22/11 eu sonho com seres humanos fracos que se rastejam no solo, mendigando por um pouco de alimento. Eu, dentre os que caminhavam eretos, os ignorava e continuava com minha vida. Os “mendigos” viviam abaixados e era quase um crime levantarem-se.

Logo mais, no último dia do ano, sonho com uma chuva de “bilas” (pra vocês é “bola de gude”) transparentes do tamanho de olhos que ora se quebram e ora se desmancham. Elas passam a fazer parte de tudo, fundem-se com chão, plantas, pessoas, paredes, objetos. Até que um dia eles refletem olhos e sabemos que estamos sendo observados por um ser superior.

Fase 2. Trabalhando as ideias cruas.

Ora, aqui temos 3 ideias bem distintas.

  1. uma festa onde ninguém toca o chão ou o teto. Ninguém caminha.
  2. aos mendigos indigentes é proibido andar ereto.
  3. chuva de bilas que se fundem com tudo e depois abrem-se como olhos.

O sonho a. me lembra de Wall-E. Ninguém faz esforço, nem toca o chão. Não andam. No sonho não teria sido passada a ideia de não fazerem esforço, no entanto. Mas eles não tocam o chão por escolha? Não podem? Não devem? O que os faz flutuar? Capacidade própria? Vontade? Tecnologia?

O sonho 1. é bem compatível com o sonho 2. Em vez de andar ereto, aqueles que não são mendigos flutuariam e não tocariam o chão. Poderia ser imundo, impuro. OU, podem haver 3 níveis. Os que flutuam, os que andam eretos e os mendigos.

Já o sonho 3. eu vejo como complemento de 1. e 2. Quem sabe bolas caíram do céu num belo/triste dia da chegada de invasores. Eles queriam o planeta por 1001 motivos e eram, na verdade, quase tão humanos quanto nós. A única diferença é que eles não podem tocar o solo por algum misterioso motivo. Os olhos não só vigiam e deduram como compelem os infratores a se curvar. Os não infratores permanecem eretos e os ETs flutuam, tornando-se, com o tempo, a elite.

Mas eis que embora todos os infratores vivam para servir e divertir os demais, um descobre que os ETs em contato com o chão do nosso planeta morrem (problema seu como vai explicar isso, rs). O indigente passa a treinar com o tio, que possui uma companhia de bufões para divertir a elite, e desenvolve uma forma acrobática de ataque e defesa. Ela usaria muitos saltos e isso poderia ser usado contra os ETs forçando-os ao chão. Só esquecemos de uma coisa… os OLHOS. Eles estão em todos lugares. Como ser invisível a eles? Bem… talvez sendo um indigente já o torne invisível suficiente.

Então, o que resta é só colocá-lo numa apresentação X para um grupo Y da elite e planejar um ataque à classe dominante. Quem sabe descobrir o que os faz flutuar e desligar tudo. Quem sabe os OLHOS os façam flutuar.

Quem sabe alguma tentativa de descobrir como flutuam faz com que os ETs usem os olhos para atingir a todos os eretos, castigando-os por deixarem que uma rebeliam surgisse. E, quem sabe, agora que só existiam duas classes, a dos que flutuam e a dos que “rastejam”… a brincadeira se tornasse bem diferente, hein?

Fase 3. Forno por tempo indeterminado.

É isso mesmo. Essas criações são bem espontâneas, assim com foram agora. Não me utilizei de nenhuma ideia ou sonho que tive, apenas olhei para imagens aleatórias e fui escrevendo, tentando criar algo do zero.

Então, deixo tudo fermentar. Com o tempo o que não era claro poderá se explicar e o que era explicado poderá perder o sentido. Outros sonhos virão e outras ideias. Novas fusões e novas fissões acontecerão.

Fase 4. Outline.

Aqui eu uso (normalmente) o Monomito para estruturar a ideia atual em algo que pareça uma estória com começo-meio-fim. Mas aqui não será o ponto final antes de realmente sentar e escrever. Pode ser, mas não é.

Digo, Aqui crio um OUTLINE da estória. É como se eu contasse ela toda com bullets pulando de um evento importante ao próximo sem me preocupar com detalhes.

  • Beltranardo é um Indigente. Ele ajuda na limpeza de um restaurante bastante conceituado entre os Eretos e os Acrofobianos.
  • Durante uma limpeza Beltranardo presenciou um acontecimento curioso. Ele viu um Acrofobiano tocar acidentalmente o solo e cair desacordado.
  • Beltranardo guardou aquilo para si por um tempo, enquanto via ao seu redor a arrogância e o medo impostos na sua “estirpe”, até mesmo pelos demais humanos, os Eretos.

E assim vou criando até ter um OUTLINE satisfatório. Depois disso posso levar ao forno novamente ou ir para a próxima fase.

Fase 5. Expandir Outline.

Creio que o nome dessa técnica é a do FAVO DE CRISTAL ou BOLA DE NEVE. Não lembro. Mas ela consiste em ir expandindo ideias simples em outras mais complexas, vez após outra, até chegar no ponto ideal (ao seu critério).

Assim…

  • Beltranardo é um Indigente. Ele ajuda na limpeza de um restaurante bastante conceituado entre os Eretos e os Acrofobianos.
    • Ele mora com tios desde que seus pais foram mortos.
    • Ele não sabe como os pais foram mortos.
  • Durante uma limpeza Beltranardo presenciou um acontecimento curioso. Ele viu um Acrofobiano tocar acidentalmente o solo e cair desacordado.
    • Ele correu para ajudar, mas foi impedido. Ele ficou observando de longe, mas não teve certeza se a criatura morrera ou não.
  • Beltranardo guardou aquilo para si por um tempo, enquanto via ao seu redor a arrogância e o medo impostos na sua “estirpe”, até mesmo pelos demais humanos, os Eretos.
    • Um acidente banal acontece no restaurante envolvendo Beltranardo onde ele acaba também evitando um pior acidente, não deixando um Acrofobiano tocar o solo. Em retribuição, ele é despedido.
    • Beltranardo, que não aceitava se humilhar como os tios que trabalhavam de Bufões, acaba tornando-se um peso em casa, sem conseguir mais empregos.
  • Beltranardo começa a achar que está sendo seguido, mas ninguém acredita. Ele diz achar ser pelo que viu, mas o fato dos Acrofobianos não poderem tocar o solo é algo sabido… a não ser que ele tenha visto algo mais e não tenha se tocado da importância.

GENTE, É ISSO!

Não tem mais mistério a partir daqui. A Fase 5 e 3 podem se repetir por muito tempo até que eu tenha uma estória interessante. Depois vêm as lapidações, os cortes, os aprimoramentos de personagens e tudo e tal.

É válido dizer que a Fase 2 é ótima quando acontece com mais de uma cabeça-pensante. A ajuda de terceiros é de grande valia por poder trazer novos ângulos e isso pode fazer uma diferença absurda. Isso pode fazer sua ideia tomar novos rumos, assim como novos sonhos, mas digo que conversar com amigos/conhecidos é sempre bom.

Só um adendo… esta “conversinha” com terceiros para se trabalhar uma ideia foi uma das ideias centrais para que eu criasse a Polímnia Neurastênica. Eu tinha a esperança de poder ajudar os interessados nessa fase do processo de criação. Espero um dia ainda poder fazê-lo. rs.

Será que ajudei?

Boas festas, feliz 2012 e muito sucesso a todos.

Poli.

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2 respostas em “Criando uma criação

  1. Achei excelentes os seus comentários e dicas. Dá vontade de dormir imediatamente só para ver se afloram uns sonhos. Com certeza, o mundo onírico é um campo vasto, que possibilita ao autor o registro de percepções para um conto hiper-realista ou surrealista.

    Gostei de seu didatismo e das etapas mencionadas no processo de criação. Enfim, um post perfeito para ativar a criatividade e os sentidos.

    Para você também Boas Festas, um feliz 2012 e sucesso em suas várias iniciativas literárias. Criatividade e imaginação é que não lhe faltam!

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