A Morte

Olá pessoas…

Como estão todos nesta noite de quinta-feira? Mortos?

Não sei aí, mas aqui tínhamos a expressão “morto dentro das calças”.

Então… e já que estamos falando nisso, por que não continuarmos?

Morte.

Palavra forte.

Às vezes parece distante, quando não perdemos ninguém próximo e ainda não passamos pela incrível experiência de se ter um pedaço nosso arrancado… e por mais que já estivéssemos esperando por aquilo, a experiência é, ainda assim, incrível, pois a negação se faz presente e não aceitamos que a dona morte tenha chegado tão perto de nós e levado o que havia de melhor ao nosso lado.

Morte.

Nascemos e crescemos sob um manto protetor que nos mantém longe da ideia a todo custo e, mesmo que tentemos tocar no assunto, ele é evitado por todos, sábios, ignorantes, corajosos, medrosos, jovens, velhos, sãos, doentes… todos. O que torna o assunto ainda mais curioso e, não fosse paradoxal (pois parar morrermos bastamos viver), gostaria de saber até onde vai a negação de que um dia TODOS MORREMOS.

E o que significa morrer para mim?

Deixar de existir. Cessar de ser. Parar de pensar.

E o que a morte de outrem me traz?

Sentimento de vazio, de dor, de falta, de lugar desocupado, de esquecimento, de medo.

E a morte é o meu maior medo?

Sim.

Qual o próximo na lista (tirando aranhas)?

Demência.

Eu tenho pavor da ideia de perder minha capacidade lógica (se a tenho mesmo) e minhas faculdades mentais. Tenho pavor de não ser capaz de saber quem sou e do que gosto e de quem gosto. E o mais interessante: já convivi de perto por muitos anos com pessoas próximas que passaram por isso. Eu as vi se perderem no tempo e definharem dia após dia enquanto eu ficava me segurando em pequenas memórias e objetos, outrora bugigangas, agora relíquias de uma vida que se foi.

É a voz que muda e você esquece como costumava ser. É o cheiro da cama que toma lugar daquele perfume que sempre usava. São os sons das manhãs que não são mais os mesmos… nada mais é igual. E nada disso tem volta.

E no fim da trilha… você sabe.

Mas… “e se…” eles voltassem?

E se a morte não fosse o fim da linha? E se existisse outra estação antes do céu, paraíso, limbo, inferno? E se essa estação fosse, a Terra?

O quê? Zumbis? Nah! Sai pra lá. Não gosto de zumbis.

Mas acredite, eles te adoram. Principalmente suas partes mais macias.

Eu falei da morte e dos meus medos para explicar o motivo desse monstro conseguir, num só corpo, reunir a metáfora de meus maiores pesadelos. Seria matar “dois coelhos com uma caixa d’água só”.

E o que é um zumbi?

  1. alguém que morreu e voltou.

Pronto? De certa forma, sim. Acho que a partir daí podemos trabalhar com 1001 regras para deixar esse mundo onde sua história se passará em algo realmente interessante.

Já brincaram com biologia, com religiões, com alienígenas, outras dimensões, … e acho que não tem muito mais o que inventar. Qualquer outra coisa vai cair em uma dessas “classificações”.

E como assim “regras”??

Bem… vou dar-lhes uns exemplos.

  1. zumbis são criaturas lentas.
  2. zumbis precisam de cérebro para sobreviver.
  3. zumbis que passam X tempo sem se alimentar, definham e “morrem”.
  4. uma vez machucado por um zumbi, ele te caçará pela eternidade para terminar o serviço.
  5. pessoas mortas voltam como zumbis (sempre).
  6. ninguém torna-se zumbi por causa de alguma infecção. É apenas os céus com raiva de seus filhos.

E assim vai…

Podemos tornar as coisas mais interessantes, no entanto.

  1. nem todo zumbi é lento. Alguns correm, outros saltam, outros se enterram…
  2. zumbis sentem vida. Não adianta não fazer barulho. Se você tá vivo, corra, não se esconda.
  3. Se você foi machucado por um zumbi, depois de um tempo não precisará se preocupar com os demais pois você recebeu a marca da morte e “pertence” ao que te machucou. Porém, não ache que estará à salvo, pois ele VIRÁ por você.
  4. zumbis reagem à fé. eles têm certa repulsa, mas isso só os atrasará. É sua forma de dizer aos céus que, mesmo assim, você ainda acredita nEle.
  5. zumbis sentem dor quando feridos com ossos, mas não de outro zumbi.
  6. depois de muitas mortes, um zumbi torna-se mais forte, mais ágil, mais antenado. Seu radar para detectar vida está mais potente. Se você está na lista de um desses, perca as esperanças.

Acho que deu para entender, não!? Acho que é um mundo vasto e que pode comportar de tudo. Você pode contar a história de um personagem que foge do próprio pai zumbi, que matou toda a família e está já bem forte, mas que era a pessoa que você mais amava no mundo e até então não foi capaz de revidar, apenas fugir.

Você pode contar a história de um grupo de pessoas unidas por serem caçadas por um mesmo zumbi ou grupo de zumbis.

Você pode contar a história de uma pequena cidade… de uma capital… de um continente… do mundo destruído…

E você?

Qual seu maior medo depois da morte?

Que regras você usaria para contar uma história com zumbis?

E se a pessoa que mais ama se tornasse uma criatura dessas?

Vamos trocar umas ideias?!!?

Vou deixar vocês com um vídeo fantástico.

Boa noite!

Boa sexta!

A Neura.

PostScript: E se você é fã de zumbis, dá uma olhada no blog do Rochett Tavares. Lá tem muita coisa legal sobre eles.

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1 ano 10 meses e 8 dias
22 meses e 8 dias
96 semanas e 5 dias
677 dias

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6 respostas em “A Morte

  1. Uh, tenho medo desse palhação aí rsrs

    O site do Rochett é um prato cheio, mesmo!

    Adorei o blog ^^ Eu o adicionei à minha lista de Recomendados, depois, havendo interesse, dê uma olhadinha por lá!

    Depois me passa também o código-fonte do banner para eu adicioná-lo, please =]

    Bjs,
    Amanda Reznor

  2. Pingback: O que vem de dentro | crgondim

  3. Tenho mais medo de perder a lucidez do que de morrer…
    Olha, Polimnia, achei interessante aquele episodio do “Supernatural” em que os mortos voltam à vida e aí aparece a esposa do Bob… (não lembro de foi na 4a ou na 5a temporada… Acho que foi na 5a) Porque o legal não foi o Bob, mesmo conhecendo tudo dessas coisas, proteger a mulher zumbi, tentar se enganar que estava tudo bem, mas foi, num dado momento, o telespectador perceber que ainda havia amor nela. A pobre coitada sentiu que ia perder o controle e fez de tudo pra não machucar o marido. Isso sem falar no fato de que ela lembrava de como morreu: Bob a matou porque ela estava possuida por um demonio. Ela lembrava de tudo, da possessão, do que sofreu e de se ver morta por ele. Mas ao ser indagada, disse a ele que não se lembrava de nada. Considerei um gesto bonito da parte dela. Não me lembro de ter visto um zumbi se importar tanto com os sentimentos de alguém.

    Ah, legal o linkn deixado no p.s. 🙂

    A proposito, do que se trata esse periodo de tempo que você colocou no final em ano, meses e dias? 1 ano, 10 meses e 8 dias (…) ?

    • Lembro demais desse episódio do Supernatural.

      O meu medo da morte está mais ligado à tudo ligado à morte que o ato da morte em si. A dor causado a quem é próximo, à forma em que ela virá, ao que deixarei para trás, ao cessar de existir…

      O tempo ao final (667 dias) foi quando minha mãe se foi. Enquanto sentir sua falta farei essa conta. Sempre que vejo/cheiro/sinto algo que me traz sua lembrança eu coloco isso no twitter/facebookson.

  4. O estranho é que nunca gostei de histórias de zumbis. Mas resolvi fazer deles a primeira coletanea de contos do PROJETO LIVROS GRÁTIS, que, de início era uma resposta minha à todo o elitismo e todas as panelinhas em que esbarrei nesse meio literário dessa cidade… Talvez para combater minha própria resistência a estes seres tão… mórbidos.
    Rapaz… Sobre a morte eu tenho muito receio daquela que é lenta. Morrer pra mim já começaria com não poder enxergar, não poder escrever, não poder andar…
    Se minha mulher virasse um zumbi? Rapaz… Eu daria um tiro bem no meio da testa dela e depois me matava.
    E zumbi, pra mim, tem que ter ao menos um pouco de intelecto e de objetivo. Como eu não gosto de seguir clichês, tentaria contrariar os que pudesse e o perfil deles iria depender muito do contexto da da história. Ah, e ele não ama ninguém não. São coisas animadas. Ainda que tenham algum raciocínio lógico e agilidade, só os utilizam para um fim: COMIDA… CARNE… de gente…

    P.S: cara, valeu mesmo a citação que você fez do meu blog! Foi uma surpresa muito legal!

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